A atividade aquecida da construção civil na área imobiliária continua impactando positivamente o setor cimenteiro. Nos últimos 12 meses até agosto, segundo dados do Sindicato da Indústria Nacional de Cimento (SNIC), as indústrias do setor produziram 49,1 milhões de toneladas, com aumento de 14,3%. No acumulado do ano foram vendidas 33,7 milhões de toneladas, ou 15% a mais do que no mesmo período de 2007. Em agosto foram negociadas 4,6 milhões de toneladas.
José Otávio Carvalho, secretário-geral do SNIC, prevê que o setor fechará o ano com produção e vendas entre 50 a 51 milhões de toneladas, o que nunca foi alcançado pelas cimenteiras do país. O maior nível de vendas foi alcançado em 1999 e repetido no ano passado, de 45 milhões de toneladas. Se a projeção do SNIC se concretizar, o consumo per capita atinge 260 quilos em 2008. No seu entender, esse volume ainda é baixo, levando em conta que o consumo médio per capita entre os BRICs é de 581 quilos, puxado pela China.
No ano passado, o consumo per capital do Brasil era de 242 quilos; o da Rússia de 407 quilos; da Índia de 145 quilos; e da China de 1021 quilos. Nos últimos 10 anos, o consumo per capita da Rússia cresceu 142%; o da Índia, 70%; e o da China 140%. No Brasil cresceu apenas 0,4%. Os preços do produto no mercado brasileiro para o consumidor variam muito de região para região por conta do frete. Nos mercados paulista e carioca alcança R$ 16 a R$ 18 por saca de 60 quilos, na Bahia fica entre R$ 17 e R$ 20 e em São Luiz do Maranhão, dada a distancia, custa de R$ 20 a R$ 29.
No cenário do SNIC, o setor vai continuar com ritmo forte de atividade, já que o grosso do seu mercado é a construção civil imobiliária. "Havendo recursos e investidores para a atividade de construção, e tomadores com condições de assumir os financiamentos da casa própria, este mercado tem tudo para continuar aquecido, a menos que sejamos atingidos com algum tranco como reflexo da conjuntura internacional. Mas, pelo menos em 2008 e 2009, esse crescimento é sustentável", prevê Carvalho.
Os grandes grupos do setor de cimento montaram um programa de investimento até 2012 para ampliar a capacidade das indústrias em mais 30 milhões de toneladas de cimento, já contando com o impacto das obras de infra-estrutura do PAC. Hoje, a capacidade instalada do setor é de 60 milhões de toneladas de cimento.
Até agora não há indícios de um movimento de consolidação no setor cimenteiro do país, mas está ocorrendo a entrada de novos atores nessa área. A CSN, por exemplo, inaugura em janeiro de 2009 uma primeira fábrica com capacidade nominal de produção de 3 milhões de toneladas/ano. A siderúrgica pretende expandir esta atividade e ser em pouco tempo a quinta no ranking das grandes cimenteiras do país. O grupo Brenan, de Pernambuco, também está construindo uma fábrica de cimento em Sete Lagoas, Minas Gerais.
Por Vera Saavedra Durão - Jornal Valor
10 de setembro de 2008