Os altos números de notícias veiculadas na mídia, bem como os resultados de pesquisas realizadas ao longo dos anos mostram como é comum a ocorrência de fraudes no mercado da construção.
A comissão "por fora" na compra e venda de materiais e serviços é a mais comum entre todas as fraudes. "Esse tipo de gestão leva os funcionários a criarem administrações próprias", explica o perito e investigador contábil Marcelo Gomes, da GBE Peritos & Investigadores Contábeis S/C Ltda. Há ainda os casos de apropriação indébita na área financeira/contábil, o popular desfalque, e os subornos para esconder a recepção de materiais em condições ou quantidades incorretas.
A disseminação de práticas ilegais se deve, em especial, ao fato de as grandes empresas não dedicarem atenção suficiente aos procedimentos de controle. A observação preocupa, pois indica que, na maioria das vezes, não há domínio suficiente dos procedimentos adotados, gerando fraudes que podem passar despercebidas durante longo período de tempo.
Como identificar as fraudes
O passo inicial é ter consciência de que toda empresa pode ser vítima do crime. Para coibir as fraudes é preciso, antes de tudo, identificar as áreas de instabilidade por meio de um mapeamento de riscos feito por auditores especializados. "Todas as empresas buscam a redução dos custos empresariais. Com isto, a alta gestão precisa assumir o papel investigativo e buscar a redução do risco de fraudes. A mitigação destes riscos pode ser feita por meio da contratação de empresas especializadas que auxiliam nestas análises. Desta forma, é possível desenvolver uma gestão mais atuante e focada, ao passo que as empresas contratantes podem se preocupar apenas com as atividades inerentes às suas operações?, explica Márcia Antunes, coordenadora da área de auditoria fiscal, tributária e trabalhista da Mano Consulting.
Prevenção
O primeiro ponto é o orçamento. Um projeto só é viável se do ponto de vista financeiro der uma margem azul. Portanto, é preciso saber o montante que se está disposto a gastar, quais fornecedores serão contratados, quanto será pago pela mão-de-obra, quais serão os custos reais e quais os resultados previstos para o período pré-determinado.
Respeitadas essas premissas e determinada a viabilidade de prosseguimento do projeto, parte-se para a execução. As contratações devem ser feitas com base em contratos cujas cláusulas sejam bem definidas. O próximo passo é verificar se o que foi assinado está sendo cumprido.
Marcus Nogueira, engenheiro com experiência de mais de 13 anos em auditoria e gerenciamento de projetos e obras, e sócio-diretor da Mano Consulting, explica que a Mano adota procedimentos rígidos de conferência de materiais ao gerenciar um empreendimento. ?Ao receber o material no canteiro de obras, verificamos se a qualidade do insumo entregue equivale à que foi especificada no ato da cotação, se o que vem demonstrado na nota fiscal corresponde ao que é entregue e se há algum percentual de diferença de preços entre nota fiscal e pedido?.
O diretor explica que outro ponto que merece atenção é a compra. Nesse momento, os procedimentos de concorrência são fundamentais para que se possa minimizar a ocorrência de atos fraudatórios. É necessário estabelecer um número mínimo de fornecedores, que não podem ser indicados por uma única pessoa, mas colhidos em um espaço amostral mais amplo. "A contratação de uma gerenciadora garante essa imparcialidade no momento das contratações. Não adianta a empresa estabelecer um mínimo de fornecedores se quem vai indicá-los é a própria pessoa que pode estar cometendo fraudes", afirma Nogueira.
Infelizmente, nenhuma empresa estará 100% livre das fraudes. Mas, seguir esses procedimentos básicos é uma forma eficaz de minimizar significativamente os riscos.
30 de outubro de 2008
Vanessa Nogueira - Assessora de Comunicação Mano Consulting
Parte das informações foi retirada da revista Construção Mercado 11